Um cigarro em minha boca
Que torna a mi'a voz rouca.
Vinho ruim na taça
Uma noite de caça
E a manhã inteira p'ra se arrepender.
Andando sob as luzes confusas
Formadas por ondas obtusas
Como raios que perfuram,
Esperanças que perduram
Como a vida longa dos doentes que murmuram.
Vejo lábios molhados de saliva
Pensamentos que passam à deriva
Como um bote no mar
Que se põe a vagar
Sem caminho
Como o silêncio do burburinho.
Vejo pedaços de carne que dançam
Sem rítmo algum, dança de Ogun,
Uma música de cem decibéis
Os corpos não se cansam
Sentimentos de inveja são cruéis.
O vinho me deixa tonto
Me sinto num conto
Em que sou uma pedra lerda
Que assiste o príncipe que herda
O reinado, uma bela raínha
E algumas inimizades vizinhas.
Os corpos ainda dançam (e não se cansam)
A dança sem rítmo algum (dança de ogun)
A música de cem decibéis (são tão cruéis!)
E os lábios molhados de saliva (à deriva)
Com pensamentos terrenos
Responsáveis por flagelo ameno
Caminho em direção a um ninho
Que um faisão já dominou.
Assim minha vida começa (como uma peça...)
Assim minha vida acabou. (que se acabou)
Minha vida é como uma peça que se acabou.
Níkolas S.
Assinar:
Postar comentários (Atom)



Suas poesias tbm tem uma certa musicalidade. Muito legal, gostei!
Suas poesias tbm tem uma certa musicalidade. Muito legal, gostei!
Poeta!
Teus gestos e tuas palavras são uma graça! ^.^