"Senhoras e senhores, trago boas novas: Eu vi a cara da morte e ela estava viva!"
Sabem vocês, meus queridos, me dizer quem cantava isso? Conseguem se lembrar?
Um garoto chamado Agenor de Miranda Araújo Neto, boêmio, rebelde, solto, como diria Vinícius de Moraes: "que boia leve como a cortiça e tem raízes como a fumaça."
Um garoto cujo corpo fora tomado drásticamente por um erê, a eterna criança das religiões africanas. E a partir de então este, nascido como ele mesmo diz, "no seio da burguesia", revolucionou as classes que Marx tanto tentou organizar.
Pergunto a vós: Quem é Marx perto de Cazuza?
Afinal, isso me faz pensar: O que é o maldito Comunismo Marxista que tantos clamam perto da Liberdade?
Não estou levantando e balançando uma bandeira americana nem gritando amores por Adam Smith... Mas o conceito de liberdade se destrói quando assumimos o comunismo como uma medida prática de governo, uma vez que para este acontecer é necessária uma ditadura.
Ditadura... Lembro-me do quanto bati a minha cabeça num livro durante três anos de colegial para entendê-la, a ditadura... O golpe militar de 64...
Associações... Um pensamento que leva a outro que leva a outro que leva a outro... Começo falando de Cazuza e termino falando do golpe de 64... E só para juntar as duas pontas deste barbante: Na música "Burguesia", do Cazuza, ele diz: "Vamos fazer uma revolução ao contrário da de 64!"
Incrível como a mente vaga, vaga, se perde, mas sempre se encontra denovo... Como as duas pontas de um barbante.
Adoro passear pela história... Pela literatura... Pela arte. Assim também é o personagem principal do meu romance... Meio lunático... Adoro pessoas lunáticas... São gênios que nem sempre mostram seu potencial... E esses que não o mostram são um terrível desperdício para o mundo. São como um pote cheio de biscoitos... Mas com a tampa trancada.
Mas também... O mundo merece não receber os frutos da inteligência destes seres maravilhosos... Pois o mundo os maltrata de forma rude e cruel... Que se dane o mundo então: Fica sem biscoitos.
Como já se cria aqui uma tradição, hoje deixo a vocês uma poesia de Carlos Drummond de Andrade, poeta modernista que participou da GLORIOSA Semana de Arte Moderna de 1922.
A poesia? A Flor e a Náusea!
A Flor e a Náusea
Preso à minha classe e a algumas roupas,
Vou de branco pela rua cinzenta.
Melancolias, mercadorias espreitam-me.
Devo seguir até o enjôo?
Posso, sem armas, revoltar-me'?
Olhos sujos no relógio da torre:
Não, o tempo não chegou de completa justiça.
O tempo é ainda de fezes, maus poemas, alucinações e espera.
O tempo pobre, o poeta pobre
fundem-se no mesmo impasse.
Em vão me tento explicar, os muros são surdos.
Sob a pele das palavras há cifras e códigos.
O sol consola os doentes e não os renova.
As coisas. Que tristes são as coisas, consideradas sem ênfase.
Vomitar esse tédio sobre a cidade.
Quarenta anos e nenhum problema
resolvido, sequer colocado.
Nenhuma carta escrita nem recebida.
Todos os homens voltam para casa.
Estão menos livres mas levam jornais
e soletram o mundo, sabendo que o perdem.
Crimes da terra, como perdoá-los?
Tomei parte em muitos, outros escondi.
Alguns achei belos, foram publicados.
Crimes suaves, que ajudam a viver.
Ração diária de erro, distribuída em casa.
Os ferozes padeiros do mal.
Os ferozes leiteiros do mal.
Pôr fogo em tudo, inclusive em mim.
Ao menino de 1918 chamavam anarquista.
Porém meu ódio é o melhor de mim.
Com ele me salvo
e dou a poucos uma esperança mínima.
Uma flor nasceu na rua!
Passem de longe, bondes, ônibus, rio de aço do tráfego.
Uma flor ainda desbotada
ilude a polícia, rompe o asfalto.
Façam completo silêncio, paralisem os negócios,
garanto que uma flor nasceu.
Sua cor não se percebe.
Suas pétalas não se abrem.
Seu nome não está nos livros.
É feia. Mas é realmente uma flor.
Sento-me no chão da capital do país às cinco horas da tarde
e lentamente passo a mão nessa forma insegura.
Do lado das montanhas, nuvens maciças avolumam-se.
Pequenos pontos brancos movem-se no mar, galinhas em pânico.
É feia. Mas é uma flor. Furou o asfalto, o tédio, o nojo e o ódio.
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Apesar do Karl Marx tentar derrubar a sociedade capitalista. Eu gosto dele.. ele era foda! E olha que eu faço Publicidade hein, eu deveria querer matar ele.
num entendo merda nenhuma de karl marx, pra minha marx é marca de ''karl'' ahahhahaha, q merda
muito loko o poema
Huumm, amei a comparação com os biscoitos... E... EU QUERO BISCOITOS!!! :D
Sem comentários sobre Marx, golpe de 64, etc...
Eu amo Cazuza. Cazuza poeta. A maioria de suas músicas são verdadeiras poesias que me fazem suspirar e sonhar... Não importa o que ele era... Pra mim, o que importa é que apesar de tudo, ele sabia expressar seus sentimentos no papel... e melhor ainda, cantá-los!
Poesia e musica realmente têm um impacto profundo em mim. Principalmente quando é similar ao que vivo, sinto, penso... afinal, that's what art is all about!